sábado, 21 de fevereiro de 2015

A arte de ler e de pensar

A longo prazo, qual será o efeito sobre as pessoas de lerem para buscar não apenas informação, mas adquirirem senso crítico e autoconhecimento? Harold Bloom, em entrevista concedida a Flávio Moura na Revista Veja (31/01/2001) falou sobre esse assunto. Pelo visto, passados 14 anos, tudo continua na mesma, senão pior. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, a televisão, o cinema, e os videogames desestimularam, principalmente entre os jovens, o hábito de ler.
Por que se dar ao trabalho raciocinar com a própria cabeça se as redes oferecem comida mastigada? Basta você apertar uma tecla e lá vai um sonoro bjs, o fds, abs, emoticons, etc. A música que você escuta não é escolhida por você e sim pelos energúmenos dos programas do domingão; e nas redes sociais qualquer desatinado posta sua performance musical - canhestra e desafinada - sem o menor constrangimento.
Por que ler é importante? Segundo Harold Bloom, "a informação está cada vez mais ao nosso alcance. Mas a sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, essa só pode ser encontrada nos grandes autores da literatura. Esse é o primeiro motivo por que devemos ler. O segundo motivo é que todo bom pensamento, como já diziam os filósofos e os psicólogos, depende da memória. Não é possível pensar sem lembrar – e são os livros que ainda preservam a maior parte de nossa herança cultural. Finalmente, e este motivo está relacionado ao anterior, uma democracia depende de pessoas capazes de pensar por si próprias. E ninguém faz isso sem ler." Por outro lado, Bloom alerta: "Se você tenta ser independente, se não adere a nenhum tipo de moda, se fala honestamente e emite opiniões próprias, se recusa ideologias, inevitavelmente será atacado. O mundo tenta castigar os que não se conformam." 
Fecho aspas e comento. O Brasil tornou-se plenamente informatizado antes de ser satisfatoriamente alfabetizado. Fiquei sabendo que 13 milhões de brasileiros com mais de quinze anos de idade são analfabetos completos, ou seja - nem conhecem as letras (dados recentes, julho de 2015); a projeção é de que tenhamos 55 milhões de analfabetos funcionais, isto é, pessoas que, mesmo capazes de decodificar minimamente as letras, [continue lendo em http://josemauricioguimaraes.com.br/ekislibris/a-arte-de-ler-e-de-pensar ]